Hot Cross Buns

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Mais um mês e mais um desafio Sweet World da Lia e da Susana. Não imaginam como espero ansiosamente pelo dia 20 de cada mês para saber qual o próximo desafio! Em mês de desafio duplo optei por escolher a proposta da Lia. Apesar do Simnel Cake da Susana me parecer fabuloso e verdadeiramente desafiante pelo facto de ter massapão caseiro, escolhi os Hot Cross Buns apenas pela simples razão de que já tinha os ingredientes disponíveis cá em casa.

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Vamos a alguns factos sobre estes bolinhos, recolhidos no post da Lia e aqui. Os Hot Cross Buns tradicionais são bolinhas de massa lêveda e doce, cuja composição engloba especiarias e frutos secos, nomeadamente, passas de uva e groselhas secas, sendo estas bolinhas decoradas com uma cruz no topo. Tal como tantas outras coisas, hoje em dia, é possível encontrar Hot Cross Buns à venda em supermercados o ano todo, enquanto que antigamente, estas bolinhas eram consumidas apenas e unicamente na 6ª feira Santa.

A História diz-nos que os buns remontam ao século XII, quando um monge Anglicano, terá confeccionado os Hot cross Buns, tendo-os marcado com uma cruz no topo, em homenagem à 6ª feira Santa. Os ditos bolinhos foram-se tornando populares e ganhando fama, especialmente durante o reinado da rainha Elizabete I e tornaram-se num símbolo da Páscoa. Estavam a tornar-se tão comuns e corriqueiras que, nos finais do Século XVI, a Rainha Elizabete I emitiu uma lei proibindo a venda ou confecção dos Hot Cross Buns, a não ser que fossem confeccionados especificamente para serem consumidos em funerais, Natal e 6ª feira Santa.

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Aparentemente, os britânicos, sendo um povo muito supersticioso, acreditavam que os Hot Cross Buns tinham propriedades medicinais e mágicas e receavam que esses poderes estivessem a ser abusados e vulgarizados. Era tal a crença que, alguns chegaram mesmo a acreditar que os Buns confeccionados na 6ª feira Santa, nunca ficariam duros. Por forma a contornar a Lei instituida pela rainha Elizabete I, estes bolinhos começaram a ser cada vez mais confeccionado (secretamente) em casas particulares, o que fez com que a Lei fosse difícil de manter e, eventualmente, tivesse de ser banida.

Existem várias histórias que relatam que, supersticiosamente, os Hot Cross Buns só eram confeccionados na altura da Páscoa. Há uma lenda que diz que os Hot Cross Buns confeccionados numa 6ª feira Santa e pendurados dentro de casa, espantariam os espíritos malignos até à próxima 6ª feira Santa. Outra lenda diz que, confeccionados nesse dia (6ª feira Santa), os Hot Cross Buns protegeriam os barcos de naufragar. Outra das lendas diz que, partilhar um Hot Cross Bun com um ente querido na 6ª feira Santa, protegeria a amizade entre essas duas pessoas durante o ano seguinte.

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É só de mim ou existem muitos paralelismos entre as tradições dos Hot Cross Buns e as nossas tradições da Quinta-Feira de Ascensão? Desde o pendurar da espiga ao pão guardado de um ano para o outro e que não fica rijo… E assim percebemos que a nossa cultura está mais ligada à dos outros países do que nós imaginamos! 🙂

Hot Cross Buns (receita partilhada pela Lia)
Ingredientes (para 10 a 12 buns)
  • 1 colher chá de filamentos de açafrão (em vez dos filamentos de açafrão usei açafrão em pó)
  • 3 colheres de sopa de água a ferver
  • 500 g farinha de trigo branca para pão + extra para polvilhar
  • 1/2 colher de chá bem cheia de sal fino
  • 75 g de açúcar refinado branco
  • 10 g de fermento de padeiro seco
  • 175 mL leite gordo, aquecido
  • 2 ovos médios (de preferência biológicos), ligeiramente batidos
  • 75 g de manteiga com sal, amolecida + extra para untar a forma
  • óleo de girassol, para untar a taça
  • 75g de cada: groselhas secas, passas e casca de citrinos cristalizadas e picadas (só usei uvas passas brancas e pretas).
Para as cruzes:
  • 25 g farinha de trigo branca
  • 1 colher chá de óleo de girassol
  • 2 a 3 colheres sopa de água fria
Para a calda:
  • 75ml sumo de laranja natural
  • 2 colheres de sopa de mel (ou açúcar refinado branco)
Preparação
  1. Aquecer uma frigideira pequena sobre lume médio a alto.
  2. Colocar os filamentos de açafrão na frigideira e aquecer por uns segundos, movendo-os, até que estes estejam ligeiramente tostados. Colocar os filamentos de açafrão num almofariz, deixámos arrefecer um pouco e depois, reduzi-los a um pó fino. Adicionar as 3 colheres de sopa de água a ferver e reservar.
  3. Numa taça, peneirar a farinha, o fermento, o sal e o açúcar. Fazer um buraco no centro da mistura e adicionar a água do açafrão, o leite morno, os ovos e os 75 g de manteiga. Misturar tudo muito bem com as pontas dos dedos, até tudo estar bem combinado e tiver obtido uma massa pegajosa, mas que não esteja demasiado molhada. Caso a mistura esteja muito seca, adicionar mais uma colher de sopa de água.
  4. Colocar a massa sobre uma bancada ligeiramente polvilhada com farinha e amassar por cerca de 10 minutos, ou até obter uma massa sedosa e macia. Colocar a massa numa taça untada com óleo, tapar com película aderente e deixar levedar por cerca de 1 hora e meia a 2 horas, ou até esta ter duplicado de tamanho (eu coloquei a minha no frigorífico durante a noite e só continuei na manhã seguinte).
  5. Voltar a colocar a massa sobre uma superfície enfarinhada e amassar, retirando-lhe o ar. Polvilhar a massa com metade dos frutos secos e amassar. Polvilhar com os frutos secos restantes e amassar de novo, até tudo estar bem incorporado. Voltar a colocar a massa na taça untada com óleo, voltar a cobrir com película aderente e deixar levedar por mais 1 hora, ou até ter duplicado de volume, num local aquecido e longe de correntes de ar.
  6. Entretanto, untar com manteiga uma forma tipo bolo inglês.
  7. Depois de levedada, cortar a massa em 10 pedaços idênticos (os meus tinham mais ou menos 115g cada) e trabalhar cada pedaço, de forma a obter 10 cilindros com o topo e a base arredondados. Colocar os 10 cilindros na forma, lado a lado e em pares, por forma a ficar com 5 pares. Cobrir a forma com película aderente, ou colocá-la dentro de um saco plástico limpo e deixar levedar em local aquecido, por mais 1 hora, ou até os cilindros terem crescido até tocarem o topo da bordadura da forma.
  8. Entretanto e quando a massa estiver quase a atingir o ponto especificado, pré aquecer o forno a 180°C.
  9. Para as cruzes. Misturar todos os ingredientes, de forma a obter uma pasta e colocar essa pasta num saco de pasteleiro equipado com um bico redondo e fininho. Destapar a forma e com o saco de pasteleiro contendo a pasta acima mencionada, desenhar uma cruz sobre cada bola de massa.
  10. Levar ao forno por cerca de 35 a 40 minutos, ou até os buns estarem cozidos e douradinhos.
  11. Para a calda. Quando os buns estiverem quase cozidos, levar o sumo de laranja e o açúcar ou mel ao lume e ferver até obter uma mistura com consistência de xarope.
  12. Retirar os buns do forno e pincelar toda a superfície com o xarope de laranja. Desenformar e arrefecer sobre uma grelha. Servir em fatias, cobertos com manteiga, doce ou compota.

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Ana Fernandes ❤ ❤ ❤

 

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One thought on “Hot Cross Buns

  1. Ana minha querida,
    Que lindos ficaram os teus Hot Cross Buns e a textura interior está mesmo convidativa.
    Sabes que eu também adoro massas lêvedas e por isso, este foi um tema que me agradou especialmente.
    Acreditas que, embora não o tenha escrito, enquanto preparava o post, também pensei nessa semelhança com a nossa 5ª feira de Ascensão? No fundo e no que toca a religião e crenças, as semelhanças são mundiais e variam aqui ou ali, mas no fundo todas t~em os seus rituais.
    Um grande beijinho e obrigada por estes lindos buns que já me deixaram com fome.
    Lia

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